TRADUÇÕES DA BÍBLIA



 Traduções da Bíblia

Doutor Raymundo Cortizo Perez
(É por isso, que estou trabalhando para uma Bíblia traduzida do hebraico para o português, sem a interferência ideológica da igreja católica, sendo genuinamente protestante. É lógico que também quero uma Reforma mais aprofundada, onde o homem possa se nortear pela verdade).
Versão é uma tradução de uma língua para outra.
Versões são feitas para suprir necessidades de compreensão da Bíblia em uma outra língua. Com a expansão do cristianismo (At 1:8), pecadores foram salvos e Igrejas formadas, não somente através de Jerusalém, Judéia, Samaria, mas através da Síria, Ásia Menor, Egito, Etiópia, Norte da África, Macedônia, Grécia, Itália, etc. Começou então o grande trabalho de traduzir a Palavra de Deus às línguas dos cristãos de todo o mundo Mt 28:19-20, pois o mundo está dividido em nações, tribos e povos.
VERSÕES SEMÍTICAS
Pentateuco Samaritano
Esta versão é a Bíblia dos Samaritanos.
É o texto do Pentateuco, escrito nos antigos caracteres hebraicos ou em samaritano.
O povo samaritano eram uma mistura dos povos das 10 tribos do norte de Israel com o povo assírio, em decorrência da invasão de Sargão II da Assíria em Israel, no governo de Manassés.
Os Targuns
Os Targuns (interpretações) são explicações escritos em aramaico.
Foram utilizados quando os judeus voltaram do exílio, com uma nova língua: o aramaico. As escrituras estavam em hebraico, portanto a necessidade de escritos que explicassem as escrituras, pois não entendiam o que era lido em hebraico.
Nesta época as escrituras (em Hebraico) eram lidas em público e logo em seguida vinham as explicações do leitor em aramaico:
Ne 8:8 E leram no livro, na lei de Deus; e declarando, e explicando o sentido, faziam que, lendo, se entendesse.
Estes Targuns foram muito utilizados nas Sinagogas, inicialmente eram resumidos e simples, foram então melhorados e provavelmente ganhou a forma escrita um pouco antes da era cristã.
Principais Targuns:
O da Lei (Ónquelos) – Séc.II d.C. 21, a leitura oficial do Pentateuco na sinagoga.
O dos Profetas e Livros Históricos – Jonathan Ben Uziel.
VERSÕES GREGAS
A Septuaginta
É a tradução da Bíblia Hebraica (VT) para o grego. Foi feita para a biblioteca de Alexandria no Egito, através de um pedido do monarca egípcio Ptolomeu Filadelfo ao sumo-sacerdote judaico Eleazar. Foi traduzida em 72 dias, por um grupo de 72 eruditos (6 de cada tribo), por isto o razão de seu nome Septuaginta, que em latim significa “70” e simbolizada como “LXX”.
Esta versão foi de grande importância pelos seguintes fatores:
Foi a versão utilizada pelos judeus da dispersão (nas sinagogas), levando assim a bíblia (VT) para outras nações, pois o grego era a língua comum dos povos na época do Império Grego e continuando no Império Romano.
Foi uma providência de Deus, pois quando o cristianismo se iniciou, existia no mundo uma língua comum : ” o grego ” e uma Bíblia nesta língua: a Septuaginta, favorecendo então a propagação do evangelho para as nações.
Outras Versões em Grego
-Versão de Áquila
-Versão de Teodocião
-Versão de Símaco
-Héxapla de Orígenes
VERSÕES SIRÍACAS
São as seguintes:
– A Peshito (cujo significado é “simples”) Feita entre 150 e 200 D.C., pela Igreja Siríaca de Edessa (nordeste da Mesopotâmia). Serviu as igrejas do Oriente e continha o Novo Testamento (faltando alguns livros).
Apartir desta versão, foram feitas as versões árabe, pérsica e armênica.
-A versão Filoxênia – Feita em 508 pelo bispo Filoxeno de Hierápolis (Ásia Menor).
VERSÕES LATINAS
Traduções feitas para o latim
Compreende das seguintes:
Antiga Versão Latina
Ou versão Africana do Norte, teve sua conclusão em 170 D.C., em Cartago (África do Norte). Tem o Velho Testamento (a partir da Setuaginta) e o Novo Testamento. Foi uma tradução usada pelas igrejas do ocidente.
A Ítala (ou “Vetus Itala” em latim)
Compreende de uma revisão da Antiga Versão Latina. Tem o Velho Testamento e o Novo Testamento, feita na segunda metade do século II na Itália.
A Revisão de Jerônimo
Feita em 382-387 D.C. por Jerônimo, também compreende de uma revisão da Antiga Versão Latina, usou a Héxapla de Orígenes.
A Vulgata
Feita por Jerônimo em 387-405 DC. Usou os textos em hebraico para o Velho Testamento e através das várias versões em latim fez o Novo Testamento Revisto.
Com a invenção da imprensa, a Vulgata foi o primeiro livro impresso, em Mainz (Alemanha) no ano de 1452.
Por causa de sua popularidade e difusão, recebeu este nome “Vulgata”, do latim “vulgos” = povo => versão do povo, popular, corrente.
Outros itens importantes da Vulgata:
-Foi a Bíblia da Igreja do Ocidente na Idade Média, por 1000 anos foi a Bíblia de quase toda a Europa.
-Foi usada como base para a traduções da Bíblia para outras línguas.
-No Concílio de Trento (1546), foi decretada a Bíblia oficial da Igreja Romana.
VERSÕES INGLESAS
Houve várias versões em inglês (Inglaterra e Estados Unidos), a primeira foi feita em 1380 por John Wycliff.
A Segunda foi de William Tyndale (1494-1536), formado em Cambridge e Oxford), fez a tradução a partir dos idiomas originais. A versão de Tyndale foi a primeira Bíblia impressa em inglês. Foi também a base para a famosa Versão do Rei Tiago.
Versão do Rei Tiago – ou Versão Autorizada – KJV
É a versão de maior popularidade e difulsão em inglês. Publicada em 1611. O Rei Tiago em 1604 presidiu uma conferência religiosa em Hampton, afim de considerar as queixas dos puritanos contra os anglicanos. Resultou desta conferência o propósito da publicação de uma nova versão da Bíblia, para isto foram nomeados 54 teólogos (só 41 participaram). Tem como base o Texto Recebido (T.R.) .
Texto Recebido (T.R.) “Textus Receptus”
Grupo de documentos em grego (manuscritos antigos em grego), recebido pelos crentes desde a época dos apóstolos.
Também conhecido como “Texto Tradicional”,ou “Texto Bizantino“.
Versão Revisada – English Revised Version (RV)
É uma revisão da Versão Rei Tiago (ou King James). Participaram nesta versão um grupo de sábios inglêses e norteamericanos (Sayce, Driver, Angus, Lightfoot, Westcott e outros doutores da Bíblia). Foi publicada em 1881 (Novo Testamento) e em 1885 (Antigo Testamento).
Versão Revisada Americana The American Standard Version (ASV)
Esta versão foi publicada em 1900 (Novo Testamento) e 1901 (Velho Testamento).
Versão Padrão Revisada The Revised Standard Version (RSV)
Publicada em 1946 (Novo Testamento) e 1952 (Velho Testamento) nos Estados Unidos. Começou em 1929 com um grupo de Teólogos tradutores como Goodspeed, Moffat, Millar Burrows, Albright. Novos textos originais foram consultados para esta versão.Segue o Texto Crítico (T.C.) . Recebeu elogios e críticas, pois é teologicamente liberal em alguns pontos.
Texto Crítico (T.C.)
Edição de textos gregos feitos por Wescott e Hort, apartir de um grupo de manuscritos, no ano de 1881.
Versões inglesas Recentes
The New English Bible (NEB). 1970
The New American Standard Bible (NASB) 1971
The Living Bible (TLB) 1972
The Good News Bible (TEV) 1976
The New International Version (NIV) 1978
VERSÕES ALEMAS
-No Século XIV, havia uma versão traduzida literalmente da Vulgata (latina).
-Lutero fez uma outra versão a partir dos originais, concluindo em 1534. Foi um excelente trabalho literário e esta Bíblia foi muito importante para o Movimento da Reforma.
TRADUÇÃO PARA O PORTUGUÊS
As traduções da Bíblia para o português tem origem na versão de Almeida (1753), na Vulgata (384-387) ou diretamente das cópias antigas. O caminho para as diversas traduções é mostrado na seqüência abaixo:
Apartir da versão de João Ferreira de Almeida
João Ferreira de Almeida
A Primeira Bíblia traduzida para o português foi a Versão de Almeida, antes apenas trechos da Bíblia tinham sidos traduzidos em Portugual.
Foi a primeira Bíblia em Português. Feita por João Ferreira de Almeida a partir do grego e hebraico. A tradução do Novo Testamento foi terminada em 1670, sendo impresso em 1681 em Amsterdã. O Antigo Testamento foi traduzido até Ez 48:21, pois Almeida faleceu em 1691.
Seus amigos missionários (principalmente Jacob Opden Akker) terminaram a tradução, sendo então a Bíblia completa publicada em 1753 (Amsterdã).
Almeida utilizou o Texto Recebido (T.R.) e também as traduções Holandesa, francesa, italiana, espanhola e latina.
Esta versão tem sido a base para outras versões revisadas e atualizadas e a preferida pelos evangélicos de língua portuguesa.
Edição Revista e Corrigida – ARC
A Imprensa Bíblica Brasileira publicou em 1951 aEdição Revista e Corrigida, abreviadamente ARC (A-Almeida R-revista C-corrigida).
A Edição Revista e Atualizada, foi um trabalho realizado no período de 1945 a 1955).Foi baseada no Texto Crítico (T.C.) , esta versão é semelhante a versão inglesaVersão Padrão Revisada
Foi publicada pela Sociedade Bíblica do Brasil em 1951 (Novo Testamento) e 1958 (Antigo Testamento).
Versão Padrão Revisada The Revised Standard Version (RSV)
Publicada em 1946 (Novo Testamento) e 1952 (Velho Testamento) nos Estados Unidos. Começou em 1929 com um grupo de Teólogos tradutores como Goodspeed, Moffat, Millar Burrows, Albright. Novos textos originais foram consultados para esta versão.Segue o Texto Crítico (T.C.) . Recebeu elogios e críticas, pois é teologicamente liberal em alguns pontos.
Outras versões – “Almeida“
Almeida Edição Contemporânea (ECA) – Editora Vida – 1990
Almeida Corrigida, Fiel (ACF) – Sociedade Bíblica Trinitariana do Brasil – 1994 – segue o Texto Recebido (T.R.) (é uma ótima tradução).
Versões em português com base na A Vulgata :
As seguintes versões são traduzidas diretamente da A Vulgata e não do hebraico e grego originais:
Versão de Figueiredo.
Feita pelo padre Antônio Pereira de Figueiredo, que levou 17 anos para sua tradução. O Novo Testamento foi publicado em 1781 e o Antigo Testamento em 1790. Desde 1821 a Sociedade Bíblica Britânica e Estrangeira (SBBE) publica esta versão.
Versão de Matos Soares.
O Padre brasileiro Matos Soares, traduziu em 1932. Foi publicada em 1946. Carece de fidelidade. Tem preconceitos e tendências, especialmente nos itálicos que às vezes tem texto maior do que o original. É a Bíblia popular dos católicos do Brasil.
Outras traduções
As versões abaixo não tiveram como base a A Vulgata e nem a Versão de Almeida, mas foram traduzidas diretamente das copias antigas:
-A Tradução Brasileira.
Publicado em 1910 (Novo Testamento) e 1917 (Antigo Testamento). É uma tradução muito fiel ao original, mas muito rígida, porque a tradução é literal.
–Bíblia na Linguagem de Hoje.
lançada em 1988 pela Sociedade Bíblica do Brasil.
Tem o objetivo de apresentar os textos bíblicos em uma linguagem simples do povo.
-A Bíblia de Jerusalém (católica)- 1981, Edições Paulinas
Outras Versões
Versões Ano:
Egípcia 250
Etiópica no quarto século.
Gótica 350
Armênia 400
Iberiana 570
Arábica no oitavo século.
Eslávicas 870
Persa 870
Italiano 1432
Francês 1487
Sueco 1541
Dinamarquês 1550
Holandês 1560
Espanhol 1602
Finlandês 1642
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Todas as reações:
Você e Ademar Augusto Dos Santos

Somos Argilha - Deus é o Oleiro

 


Somos Argila - Deus é o oleiro

Prof. Raymundo Cortizo Perez
Você já viu um oleiro formando um vaso? Ele pega no barro, sem forma, coloca na roda e, pouco a pouco, vai moldando a forma do vaso. É assim que Deus quer agir em nossas vidas, nos transformando em algo muito mais bonito, que sozinhos não conseguimos ser. Mas será que aceitamos ser moldados por Deus?
Contudo, Senhor, tu és o nosso Pai. Nós somos o barro; tu és o oleiro. Todos nós somos obra das tuas mãos. Isaías 64:8
Todos fomos criados por Deus com grande potencial. Assim como o barro pode tomar muitas formas diferentes, cada vida é única e tem um propósito especial. Deus tem um plano para nossa vida e quer nos moldar segundo esse plano.
Mas muitas vezes nós não queremos ser o barro. Queremos ser o oleiro! Queremos ter o controle sobre nossa vida, decidir a forma que vai tomar. Não queremos a interferência de Deus. Achamos que conseguimos nos moldar sem ajuda, seguindo nosso próprio caminho.
Mas nós somos barro! Por mais que tentemos, não conseguimos alcançar a perfeição do vaso completo. Continuamos uma massa de potencial sendo desperdiçado. Precisamos de um oleiro.
A vida nas mãos certas
Quando reconhecemos nossas falhas e entregamos nossa vida a Jesus, estamos dizendo para Deus: "eu preciso que você molde minha vida". Precisamos de humildade para admitir que somos barro. Mas agora, nas mãos de Deus, tudo se transforma!
A mudança não acontece toda de um dia para outro. Quando nos entregamos a Jesus, assumimos um compromisso para a vida toda. E, ao longo de nossa vida, Deus vai nos moldando. Nas mãos do Oleiro, nossa vida tem futuro e propósito.
Quando estamos nas mãos de Deus, temos segurança. Se cairmos no pecado e nossa vida se desmorona, podemos pedir perdão e consertar as coisas com Deus. Então, ele reconstrói o que deu errado e nos ajuda a vencer o pecado. Não é um processo fácil nem rápido, mas é a melhor maneira para construir uma vida sólida.
No fim, o vaso completo é cozido pelo oleiro e se torna algo forte e duradouro. Da mesma forma, quando nossa vida é moldada por Deus, no fim teremos uma vida firme, preparada para a eternidade!
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Todas as re

Salmo 51 = um grito de perdão

 

Salmo 51


Salmo 51– Um Grito de Perdão

Prof. Raymundo Cortizo Perez
Este é o quarto e o mais profundo dos Salmos Penitenciais. As profundezas da experiência individual, o senso do pecado e o pedido de perdão não são superados em nenhum outro salmo. Este é o primeiro salmo de outra coleção levando o nome de Davi, Salmos 51-70. As opiniões são muitas quanto à ocasião que deu origem a esta confissão. Para alguns ele tem um significado corporativo; para outros ele teve origem na bem conhecida experiência de Davi; para outros, ainda, descreve um crente que vai ao Templo em busca de perdão e purificação. O acréscimo dos versículos 18 e 19 parece adaptar um pedido puramente individual aos requisitos da adoração corporativa. Quer Davi tenha ou não composto o poema, sua experiência parece tê-lo ocasionado.
1, 2. Um Grito por Misericórdia. Compadece-te de mim, ó Deus. O salmista nem pede inocência nem lança a culpa sobre outrem. Uma vez que sabe que não merece perdão, ele primeiro roga por misericórdia, com base na bondade divina. De acordo com esta misericórdia, ele pede que a sua transgressão saia apagada e a sua iniquidade seja lavada.
3-6. Uma Confissão de Pecado. Pois eu conheço as minhas transgressões. Aqui o salmista enfatiza o fato de que sabe e está constantemente cônscio do seu pecado, e reconhece que o seu pecado é mais do que o pecado contra o homem. Ao mesmo tempo ele reconhece a tendência universal para o pecado mas não se desculpa com base nisso. A profundeza de sua confissão está visível no seu desejo de descobrir o íntimo e o escondido do seu ser.
7-12. Um Pedido de Purificação. Purifica-me . . . lava-me. Os verbos são extremamente significativos na transmissão do pedido. O salmista começa (vs. 7-9) pedindo purificação externa. Purificar com hissopo e lavar estão relacionados com o ritual. Com o pedido de um coração regenerado e um espírito constante renovado, a ênfase passa para a purificação interior.
13-17. Um Voto de Consagração. Então ensinarei. Este voto de testemunhar aos outros dá evidências do perdão recebido pelo escritor e sua natureza modificada. A maneira como o salmista encara o sacrifício é essencialmente profético e muito semelhante com o do autor do Salmo 50. Seu senso do pecado e culpa exigem mais do que ofertas queimadas; por isso oferece seu espírito quebrantado e seu coração contrito.
18,19. Uma Oração de Restauração. Faze bem … edifica … então. Esta ênfase dada às obras como recurso de fazer sacrifício aceitáveis parece ser um acréscimo de um escritor ou editor sacerdotal.
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SEXUALIDADE E GÊNERO

 


 

Sexualidade e gênero: Uma perspectiva cristã

Prof. Raymundo Cortizo Perez, (Ph.D.)
A igreja deve fazer mais do que apenas apontar o caminho certo a seguir no que diz respeito às perguntas sobre sexo e gênero; também deve aprender a ministrar eficazmente àqueles que lutam contra os efeitos do pecado e da Queda, quanto ao sentido do eu e da sexualidade.
ABíblia declara que a criação do ser humano foi feita à imagem de Deus, o que inclui a distinção entre o homem e a mulher (Gênesis 1:27). Ambos os sexos eram essenciais para a imagem completa de Deus e ambos trouxeram as suas habilidades e dons especiais para a família, para a sociedade e para a comunidade de adoração. Jesus reafirmou a natureza sexual binária da criação dizendo que “Deus os fez homem e mulher” (Marcos 10:6).1 Paulo também valorizou a distinção entre homem e mulher, vendo-a como um símbolo do relacionamento entre Cristo e a igreja (Efésios 5:31, 32). O apóstolo reconheceu que as diferenças entre os sexos exigiam, por vezes, papéis diferentes (Efésios 5:22-29), mas também afirmou a igualdade fundamental de homens e mulheres perante Deus na comunidade de fé (Gálatas 3:28).
À medida que a Igreja Cristã se desenvolvia, infelizmente, era impactada tanto pelo dualismo como pela visão centrada no homem do mundo greco-romano. A identificação do que é material com o mal, feita por Platão, influenciou a igreja a desenvolver um clero celibatário. Também a declaração de Aristóteles de que a mulher é um homem incompleto levou as mulheres a serem subjugadas como seres sociais e espirituais. A inferioridade tanto do casamento como das mulheres foi uma característica implícita e explícita no Ocidente medieval até a época da Reforma Protestante.
No século XVI, Lutero e Calvino restauraram o casamento como algo bom tanto para o reino de Deus como para a humanidade. Ambos deram o exemplo ao tomarem cada um uma esposa para si. A noção de distinção e separação de gênero, para fins de modéstia, castidade e proteção da mulher, foi defendida pelo ensino protestante. É claro que as noções de inferioridade de gênero não desapareceram da noite para o dia e o mundo protestante ainda está se debatendo com a questão do que significa ser “igual” e “diferente”.
As vertentes centrais do protestantismo, sejam elas calvinistas, luteranas, anglicanas ou anabatistas, geralmente levavam a sério a doutrina da depravação total. Acreditavam que o pecado havia impactado todas as partes dos seres humanos, incluindo os elementos físicos e mentais da sexualidade e do gênero. Tanto as Escrituras como a natureza ensinavam que os desvios da identidade física de gênero e uma orientação sexual apropriada (sexo oposto) eram os resultados da queda e que precisavam de ser resistidos, modificados e restringidos.
DESENVOLVIMENTOS MODERNOS: A IDENTIDADE DE GÊNERO HOJE
No século XX pós-freudiano, materialista e pós-moderno, o sentido subjetivo do eu e do desejo aproximou-se cada vez mais do centro de determinação da realidade e do valor da sociedade. A natureza, o seu desígnio e o seu propósito foram em grande parte abandonados como guia para o que é normativo e o bem, pelo menos na vida pública. A crença numa natureza humana decaída, que possui desejos inapropriados, também diminuiu.2
Essa desvinculação do físico do que é normativo e moral, como também a priorização do desejo humano, fez com que muitos na comunidade científica e médica secular considerassem os desvios de orientação sexual e de identidade de gênero como experiências minoritárias dentro de um espectro de normalidade, em vez de um desvio para o anormal. Por exemplo, a nova frase para confusão de gênero, a “disforia de gênero”, implica que a identificação com o gênero do sexo oposto é um “problema” apenas se causar angústia ou sofrimento.3
No entanto, muitos estudiosos e teólogos evangélicos, incluindo os adventistas, acreditam que essa mudança representa muito mais uma mudança ideológica e filosófica, em vez do progresso natural da descoberta científica. As revisões na filosofia e na política, relacionadas com o gênero e a sexualidade, salientam eles que precederam em muitas décadas a essas alterações na perspectiva científica e médica. A libertação dos desejos sexuais, do comportamento e da identidade das restrições tradicionais, quer bíblicas quer naturais, fazia parte de uma agenda política e jurídica explícita de certos grupos de defesa do século XX, especialmente à União Americana pelas Liberdades Civis, a partir da década de 1920. 4
Os cristãos que analisam essas formas de desenvolvimento têm argumentado que permitir que o sentido subjetivo de gênero de uma pessoa se sobreponha a todas as evidências físicas objetivas é a “rendição a uma forma de gnosticismo” e mais uma acolhida do dualismo material/espiritual grego. 5
Em um ambiente como esse, os cristãos devem fazer um esforço especial para permanecerem fiéis aos princípios bíblicos da realidade. Ao aplicar esses princípios hoje, é geralmente reconhecido ser necessário distinguir entre questões de intersexo e transgênero. O intersexo envolve ambiguidade biológica e genética real e apa- rente em relação ao sexo. (No entanto, não existe hermafrodismo verdadeiro e a comunidade médica está se afastando do uso do termo intersexo, com suas implicações de algum tipo de terceiro sexo ou sexo intermediário, para distúrbios do desenvolvimento sexual). 6
Transgenerismo, por outro lado , envolve um sexo biológico claro que está em desacordo com o sentido subjetivo de gênero de uma pessoa. A grande maioria daqueles chamados transgêneros não são intersexuais.7
Dada a base biológica da sua condição, parece que as pessoas intersexuais precisam de espaço para resolver o seu enigma de identidade biológica – que envolve os cromossomos, as gónadas e outras características sexuais primárias e secundárias, bem como a identidade autopercebida – em consulta com os pais, médicos, conselheiros e pastores. Uma vez compreendida a sua identidade sexual biológica, então eles serão capazes de dar os próximos passos para conviverem com um gênero consistente consigo mesmos. 8
Ao se relacionar com aqueles que lutam contra um sentimento puramente subjetivo de transgênero, deve-se ter cuidado, preocupação e compaixão cristãos. Alguns cristãos com uma antropologia dualista, em que o espírito/mente da pessoa é separado ou distinto do corpo, estão demostrando alguma vontade de aceitar e acomodar a expressão dos impulsos transgêneros. 9
Mas para os cristãos com uma antropologia mais holística da mente, do corpo e do espírito em relação às pessoas com gênero, é difícil, senão impossível, falar de uma identidade de gênero que seja completamente separada ou oposta à do corpo.10
Dada a crença adventista no impacto total do pecado sobre a pessoa – mente, corpo e espírito – não é surpreendente, pode-se argumentar, que às vezes haja confusão em relação à realidade. Os psicólogos sabem que existem estados mentais e delírios que fazem com que as pessoas rejeitem a realidade de seu próprio corpo – como é o caso dos anoréxicos (cuja imagem corporal é diferente da realidade), dos transacionados (aqueles que pensam que são ou deveriam ser deficientes, o que às vezes é denominado de Transtorno de Identidade da Integridade Corporal), ou aqueles que sofrem de disforia de espécie (a crença de que são, na verdade, um animal). 11
ABRAÇANDO A REALIDADE DO CORPO/MENTE
A maioria dos especialistas concorda que essas condições são mais adequadamente tratadas como condições psiquiátricas/psicológicas, nas quais a mente é ajudada a abraçar a realidade do corpo. A alternativa é danificar o corpo, permitindo a magreza prejudicial à saúde, a amputação ou destruição de partes do corpo perfeitamente saudáveis ou a remodelação artificial do corpo em formas não humanas. Para muitos cristãos, isto significaria participar na destruição da imagem de Deus.
Essa preocupação cristã possui uma implicação mais forte ainda quando se trata daquele elemento da humaidade, a identidade sexual, pois a Bíblia ensina que ela tem uma ligação especial com a imagem de Deus. 12 Alterar essa imagem é, em última análise, distorcer a pessoa criada por Deus. Sobre essa questão, uma equipe de estudo cristão assim se posicionou:
“Recomendar a cirurgia de mudança de sexo como ‘a solução’ pode, consequentemente, ser visto como um incentivo inútil de submissão a uma imagem distorcida de si mesmo. É uma solução que permite que uma profunda confusão psicológica e a dor sofrida pelas pessoas transexuais não sejam tratadas, aumentando assim a perspectiva de danos emocionais futuros. Em vez de permitir que isso aconteça, a igreja deveria ser capaz de oferecer uma esperança mais plena. Uma resposta cristã que enfatize a integridade psicológica e física, em vez de se concentrar exclusivamente em mudanças físicas artificiais e cosméticas, na esperança de que elas produzam por si mesmas o desejo de unidade psicossomática, reflete mais verdadeiramente uma visão bíblica da saúde holística.” 13
Dentro de uma cosmovisão bíblica e que afirma a natureza, parece que noções puramente subjetivas de transgênero caem na categoria de confusão psicológica e devem ser tratadas mental e psicologicamente. Essa conclusão é apoiada por estudos sistemáticos históricos e recentes de pessoas que foram submetidas a cirurgia de redefinição sexual. Um estudo inicial realizado em 1979 mostrou que, embora os pacientes transexuais submetidos à cirurgia rela- tassem algum nível de satisfação subjetiva e felicidade com a sua mudança, as medidas objetivas da saúde mental subjacente, incluindo depressão, ansiedade e formas básicas de lidar com a vida, permaneceram inalteradas. Os resultados desse estudo fizeram com que a Universidade Johns Hopkins descontinuasse as cirurgias de mudança de sexo. 14
Estudos mais recentes apresentaram resultados mistos, mas nenhum deles alterou fundamentalmente a conclusão de que a mudança de sexo é, na melhor das hipóteses, uma intervenção ambígua, que tem os seus próprios custos e encargos. Conforme afirmaram recentemente alguns investigadores da Johns Hopkins, “as provas científicas resumidas sugerem que temos uma visão céptica em relação à afirmação de que os procedimentos de redefinição sexual proporcionem os benefícios esperados ou resolvam as questões subjacentes que contribuem para que haja riscos elevados de saúde mental entre a população transgênero.” 15
É claro que surgem sempre novos estudos e, alguns deles, sem surpresa, pretendem apoiar a nova linha ideológica de gênero de que a transição produz resultados positivos para as pessoas transgênero. Mas é bastante revelador que a organização nacional que supervisiona a política Medicare/Medicare tenha se recusado a fornecer uma regra nacional que apoie o financiamento de serviços de transição. Em 2016, sob a administração Obama, após uma revisão de literalmente dezenas de estudos, a conclusão foi de que a evidência clínica “é inconclusiva para a população do Medicare”. 16
Na verdade, tal como foi descrito pelo painel de decisão, muitas provas eram negativas e profundamente preocupantes. O maior e mais robusto estudo que o painel analisou foi o da Suécia, que tem apoiado a transição de gênero há muitos anos. Esse estudo identificou um aumento da mortalidade e da hospitalização psiquiátrica em comparação com os controles correspondentes. A mortalidade deveu-se principalmente aos suicídios consumados (19,1 vezes maior do que nos suecos de controle). Além disso, a mortalidade por neoplasias e doenças cardiovasculares também aumentou para 2 a 2,5 vezes. O risco de hospitalização psiquiátrica foi 2,8 vezes maior do que nos controles, mesmo após o ajuste para doença psiquiátrica prévia. 17
A NATUREZA TEM A ÚLTIMA PALAVRA
Em última análise, a natureza tem a última palavra. Ninguém pode realmente mudar de sexo. Uma operação completa de “mudança” de sexo consiste em destruir a genitália e os sistemas reprodutivos normalmente funcionais e substituí-los por meros fac-símiles e representações físicas que não podem mais funcionar reprodutivamente. A identidade sexual subjacente do corpo não muda, os cromossomos, o DNA e a teia de outras características relacionadas ao sexo são os mesmos. Essa persistência da identidade sexual subjacente é evidenciada pelo esforço constante do corpo para retornar ao seu estado natural. Assim, há uma necessidade de “mudar” os pacientes para receberem terapia hormonal pelo resto da vida para repelirem esses esforços corporais. Esses regimes medicamentosos para toda a vida apresentam efeitos colaterais e riscos próprios para a saúde, como trombose e parada cardíaca, o que exige que os pacientes sejam continuamente monitorados e supervisionados por profissionais médicos. 18
Além das preocupações de saúde com o indivíduo, há também implicações bastante perturbadoras quanto às políticas públicas e na segurança pública ao permitir que as pessoas decidam o seu gênero com base inteiramente em percepções subjetivas. Separar homens e mulheres solteiros, e meninos e meninas quando se trata do uso dos banheiros, vestiários e alojamentos protege a modéstia e a pureza sexual, que são valores tanto para a igreja como para a sociedade.
Igualmente importante e mais básico ainda é que também protege as meninas, moças e mulheres dos predadores masculinos, cuja maior força e agressividade tornam as mulheres particularmente vulneráveis se a sociedade e as suas instituições não mantiverem essa preocupação com respeito ao gênero. Essa preocupação não se baseia na crença de que as pessoas transexuais sejam de alguma forma mais violentas ou predatórias do que outras. Na verdade, é o fato de que, uma vez alteradas as regras, será quase impossível policiar homens heterossexuais, não-transgêneros, que afirmam ser transgêneros para obterem acesso aos banheiros femininos e aos vestiários para os seus próprios fins nefastos. Uma vez que a identidade de gênero baseia-se puramente em um sentido subjetivo de identidade, as autoridades geralmente devem aceitar a afirmação da pessoa de ser do sexo oposto ao valor nominal, apesar das aparências.
Está bem documentado que uma das melhores formas de manter as mulheres, as moças e as meninas bem seguras nos centros e campos de refugiados é fornecer banheiros bem seguros e separados por gênero. 19
O fato de a sociedade considerar a possibilidade de reverter essas regras de bom senso em relação aos banheiros, em um ponto em que a agressão sexual nas instituições públicas, como é o caso do Ensino Superior e das Forças Armadas, está atingindo níveis mais altos, é visto por alguns como um sinal da natureza extrema da confusão filosófica em nossa sociedade moderna. 20
CONCLUSÃO
Para os Cristãos, a associação dos sexos com a imagem de Deus tem significado não apenas teológico, mas também profético. A lealdade ao sábado do sétimo dia se tornará o ponto final da controvérsia no tempo do fim.
Os cristãos também devem reconhecer a liberdade moral e a diversidade que Deus permite a toda a humanidade. Nem todas as coisas das quais discordamos moralmente podem ou devem ser proibidas pelo Estado. Sempre que possível, os cristãos que valorizam a liberdade devem trabalhar através de processos políticos para proteger os direitos e a dignidade das minorias sexuais e de gênero, garantindo ao mesmo tempo que a liberdade religiosa e os valores das organizações religiosas e das pessoas de fé serão protegidos. Não podemos comprometer as nossas crenças subjacentes sobre a natureza humana, a sexualidade e o casamento. Mas devemos defender essas verdades de forma que demonstre respeito pela imagem de Deus em todas as pessoas, incluindo aquelas das quais podemos diferir de suas opiniões sobre sexualidade e gênero.
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O Carnaval e os cristãos

 


O Carnaval, as máscaras e o cristianismo

Prof,. Raymundo Cortizo Perez
Existe alguma relação entre carnaval e cristianismo? Abaixo da superfície colorida do carnaval reside o antagonismo entre as coisas do espírito e as coisas da carne no imaginário popular...
1. O Carnaval, as máscaras e o cristianismo
Desde as festas a Dionísio na Grécia até ao colossal evento na Marquês de Sapucaí, o carnaval não deixou muitas dúvidas sobre ser ele uma das festas mais populares da história. É possível encontrá-lo praticamente no mundo todo, vestindo trajes culturais relacionados ao lugar onde é visto, ele vai de Salvador a Bruxelas, de New Orleans até Tóquio.
Mesmo sendo flagrante a diferença entre o que acontecia nas festas em Roma até o bilionário evento no Rio de Janeiro, o carnaval apresenta um ponto comum: ele é a festa das máscaras. Sua origem na Antiguidade aponta um nascimento geminado com o teatro grego. O carnaval e as máscaras andam juntos onde quer que sejam encontrados. E não é somente a atividade artística de cobrir o rosto com peças cuidadosamente elaboradas e coloridas, o carnaval é a manifestação do não ser ou, no mínimo, da vontade de ser outro. É a festa da inversão. Nele, homens podem ser mulheres e mulheres podem ser homens, os ricos ficam pobres e os pobres são destaques em posições elevadas, o escondido é declarado e o ato de se mascarar está associado em desmascarar o outro.
Numa contagem regressiva da consciência de que a realidade virá nas cinzas da quarta-feira, o folião se prende ao se entregar, a carne assume o comando com foco no prazer, nesses dias de recriação de um mundo despecaminalizado o ser é livre para viver uma existência imaginada, outrora aprisionada, agora feliz.
A compreensão da Festa da Carne com suas influências medievais é mais do que uma curiosidade. O carnaval se prende a um calendário litúrgico, agrícola e astronômico. Ele está entre o Ano Novo e a Pascoa e esta, é determinante para a colocação da data do carnaval no seu lugar pois se via a necessidade de haver preparo para os dias de restrição que todo o contexto da Páscoa iria trazer, ou seja, “vamos nos alegrar porque a tristeza vem aí”.
Abaixo da superfície colorida do carnaval reside o antagonismo entre as coisas do espírito e as coisas da carne no imaginário popular, não como oposição entre o bem e o mal, mas como uma luta entre o bom e o ruim, isto é, a compreensão de que as coisas verdadeiramente prazerosas não são religiosas e o carnaval permite uma janela de alegria e prazer em uma parede de chatices.
Esse pensamento está presente no mundo contemporâneo. A humanidade compreendida pelos gregos e pelo medievo não é apenas dicotômica, mas suas partes são antagônicas. O resultado é uma espiritualidade encarcerada no porvir e uma religião que não pode ser vivida no corpo. A ideia céu é sempre enfadonha, a santidade é inútil beirando a alienação e o cristianismo é associado a tudo que cerceia a existência, detentor de um peso moral insuportável como uma masmorra cujo escape é a festa da carne.
2. A insatisfação, o cansaço e o descanso
O conceito bíblico de felicidade está no centro da questão. Na carta que o apóstolo Paulo escreveu aos Gálatas, discorrendo sobre os efeitos da ação do Espírito Santo na humanidade, ele diz que “O fruto do Espírito é amor”, logo em seguida mencionando a “alegria”, (Gálatas 5:22). Note a ênfase de Paulo ao confirmar a alegria no presente sem negar sua origem sobrenatural. Em 1 Coríntios 13:6 ele diz que a vida no amor de Deus traz regozijo com a verdade. As pessoas rendidas a verdade se alegram com ela, ao contrário de se aprisionarem numa santidade falsa e consequentemente escravizadora.
A Bíblia localiza a gênese do mal no universo e em cada pecador no ambiente de um coração insatisfeito. Lúcifer, não se rebelou contra o governo de Deus sem se desgostar de sua própria condição, da mesma forma o desejo de livrar-se de uma insatisfação artificializada pelo egoísmo é nominada na bíblia como cobiça e descrita como raiz de todos os males (Romanos 7:7, 8; Tiago 1:14, 15) Não à toa, a Escritura diz: “Regozijai-vos sempre” e “em tudo dai graças” (1 Tessalonicenses 5:16,18). A alegria e a satisfação nesses textos não são descritas como entorpecentes alienantes da difícil realidade humana e nem como prêmio a ser alcançado em um mundo perfeito futuro, mas como um estado do ser que encontrou a graça e o perdão em Jesus Cristo (Salmo 51:12).
Jesus se viu diante de uma sociedade fatigada por carregar as máscaras religiosas da recompensa moral. Não havia deleite nas pessoas que deviam se alegrar por pertencer a um povo santo e ter recebido revelações extraordinárias da parte de Deus, pelo contrário, a vida era um fardo cheio de regras e medos e a liderança espiritual estava muito mais próxima de uma sociedade de vigilância do que uma comunidade de amor.
“Vinde a mim”, disse Ele, “vós que estais cansados e sobrecarregados e eu voz aliviarei” (Mateus 11:28). Um convite pessoal a satisfação completa. O Salvador, ao contrário do que Seus ouvintes estavam acostumados, não indicou uma receita, Ele chamou a Si, convidou a um relacionamento e Se apresentou como cura ao cansaço e a sobrecarga. Jesus fez um convite e não uma proposta, Ele não reduziu sua solução a uma emergência ou a um alívio momentâneo, Ele propôs uma ruptura para um novo modelo de vida, uma vida no Espírito que se desdobra satisfação e contentamento em vez de cansaço.
É fundamentalmente importante notar que Ele não descarta a verdadeira espiritualidade. Cristo, antes de tudo, ataca o problema na sua raiz, ou seja, o jugo inadequado: “Tomai sobre voz o meu jugo”. O Salvador, não afirma a necessidade de uma farra irreverente como alívio de uma vida regrada e santa, ao contrário, Ele concede graça e santidade como descanso para a vida neste mundo caótico.
Há, de fato, uma mensagem dada pela grande festa popular: o retrato de um mundo exausto de si mesmo, sentindo o peso das máscaras que ele mesmo construiu e buscando beber solução na fonte de seu problema. Tiramos as máscaras e não suportamos por muito tempo a realidade que elas escondem, colocamos as máscaras e, da mesma forma não suportamos o peso de carregá-las por tanto tempo e diante de tanta gente. Jesus nos chama a uma experiência de satisfação completa, não substituindo nosso cansaço por uma outra versão danificada e fantasiosa de nós mesmos, mas por uma vida nEle, confiando na perfeição das Suas decisões e vivendo a alegria da Sua presença.
Todas as

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