A QUEDA DE SAULO @destacar @seguidores
Na estrada de Damasco, o sopro do invisível (12)
Desfaz a velha casca e o orgulho do que sou; (12)
A luz que cega o corpo inflama o imperceptível (12)
E muda o rumo reto por onde o ser andou. (12)
Quem era o perseguidor na carne que fenece? (12)
O "eu" que se julgava eterno desabou. (12)
No vácuo do deserto, a alma enfim padece (12)
A dor de ver a Vida que o tempo não tocou. (12)
O homem renascido já não pertence ao nada, (12)
De místico silêncio preenche o seu porvir; (12)
Na estrada do mistério, a mente iluminada (12)
Descobre que ser livre é apenas Redimir. (12)
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análise e comentário:
Pontos de Convergência com os Mestres
1. O Rigor Filosófico de Antero de Quental
O mestre dos sonetos metafísicos portugueses via a poesia como um instrumento de investigação do Ser.
No poema de Paulo, os versos "Quem era o perseguidor na carne que fenece? / O 'eu' que se julgava eterno desabou" dialogam diretamente com a crise íntima anteriana. Enquanto Antero frequentemente parava no desespero do "Não-Ser", o poema de Paulo avança para a resolução mística da conversão.2. A Claridade Luminosa de Olavo BilacBilac era o mestre do alexandrino perfeito no Brasil, usando a métrica para esculpir imagens visuais fortes. A transição estrófica do nosso poema — que começa com o impacto físico da cegueira e termina na calmaria da iluminação — imita o movimento parnasiano de Bilac (como em Via Lactea), onde a grandiosidade da natureza ou do cosmos serve de espelho para a transformação do homem.3. A Transcendência de Cruz e SousaO maior simbolista brasileiro usava a dor e o mistério como chaves de libertação espiritual. O fechamento do poema ("Na estrada do mistério, a mente iluminada / Descobre que ser livre é apenas Redimir") carrega a atmosfera de Cruz e Sousa: a ideia de que o sofrimento humano e a perda da visão carnal são necessários para que o ser alcance a verdadeira liberdade e a comunhão com o Invisível.
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