O Verbo no Madeiro
No silêncio do topo / o infinito padece, (12)
Onde a carne se rasga / e o mistério se tece. (12)
O calvário transborda / a pergunta do mundo: (12)
Como pode o Eterno / sofrer tão profundo? (12)
Entre os cravos de ferro / e a coroa de espinho, (12)
O Homem-Deus desbrava / o sagrado caminho. (12)
Não há ódio no olhar / que a matéria consome, (12)
Há um sopro de vida / que salva o teu nome. (12)
O limite do tempo / se dobra ao madeiro, (12)
Onde a morte esvazia / o eclipse inteiro. (12)
Tudo está consumado / no altar da existência, (12)
Pois a cruz é o berço / da pura transcendência. (12)

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