JESUS CHOROU, JOÃO 11:35

 JESUS CHOROU, JOÃO 11:35




JESUS CHOROU, JOÃO 11:35
Raymundo Cortizo Perez

Unindo a lírica da dor humana à profundidade filosófica e ontológica do mistério do ser, da vida e da morte.

Diante do sepulcro, o silêncio se faz,
O Verbo feito carne contempla a amplidão.
No pranto que verte, mistério de paz,
Desaba o infinito na humana aflição.
O Deus que dá forma e sustenta o existir,
Se dobra ao limite do tempo mortal.
Chorar o amigo é o Ser assumir
A dor da centelha que foge ao final.
"Lázaro, vem para fora!", o brado ecoou,
Rompendo o estatuto do nada e do fim.
A morte, que a vida no tempo roubou,
Devolve a presença no eterno jardim.
O choro era o limite do ser que se esvai,
A voz é o anúncio do eterno porvir.
No laço do Filho com o sopro do Pai,
Viver é o destino que vai ressurgir.

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